Entrevista – Mundo Verde

Por Paula Bueno – e3 Marketing & Comunicação
Há 25 anos exercendo a medicina, o dr. Alberto Peribanez Gonzalez, descobriu uma outra paixão em um curso de verão, há mais ou menos 20 anos: a nutrição. De lá pra cá muitos outros cursos, livros e mestres inspiraram o médico a desenvolver projetos e disseminar seu conhecimento sobre a importância da alimentação para a saúde.
Em sua opinião, o interesse do médico pela nutrição deveria ser natural, já que Hipócrates, pai da medicina ocidental, afirmava que a cura das doenças viria em sua maior parte através dos alimentos. Quando questionado sobre o título de seu livro, “Lugar de Médico é na Cozinha”, dr. Alberto explica que é um convite à mudança cultural no enfoque da medicina.
– Quem é Alberto Peribanez Gonzalez?
Sou médico, professor e pesquisador, outrora em medicina convencional, mas agora devotado à validação científica, aplicação assistencial e divulgação docente das práticas não hegemônicas em saúde, tendo a alimentação viva como leitmotiv (do alemão, motivo condutor ou motivo de ligação).
– Há quanto tempo atua na área?
Sou formado em medicina há 25 anos, atuava na área cirúrgica e tenho o título de especialista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões. A partir de meu doutorado na Alemanha, fiz pesquisa em microcirculação durante dez anos e fui professor de fisiologia em duas universidades do Rio de Janeiro. Em janeiro deste ano completei sete anos de pesquisa e aplicação do alimento vivo na saúde.
– Em que consiste o curso “Bases Fisiológicas da Terapêutica Natural e Alimentação Viva”?
É um curso médico, que revisa a fisiologia à luz de novos conhecimentos científicos, permitindo que os profissionais de saúde que o façam estejam aptos a aplicar estes mesmos princípios com total segurança em seus pacientes. Tenho um tipo de curso avançado, voltado aos médicos e profissionais de saúde e um básico, para o público interessado em geral. A carga horária e o entendimento são semelhantes, mas diferencia-se na densidade das informações. Assim sendo, posso formar médicos, nutricionistas, enfermeiros, farmacologistas, dentistas e fisioterapeutas que possam orientar agentes de saúde igualmente formados em uma nova prática de medicina. Este ano inicio a validação do curso frente ao Ministério de Educação. Em dois anos terei o livro texto, com o mesmo nome.
– Como surgiu o interesse pela nutrição?
A grade curricular dos cursos de medicina sequer menciona a nutrição como parte do ensino médico. Foi em um curso de verão em Nutrição Aplicada, com a saudosa Prof. Gabriela Saraiva, na Universidade de Brasília, que despertei para o fato. Vinte anos mais tarde, no Rio de Janeiro, conheci os projetos Biochip, na PUC e Terrapia, na Fiocruz. Meses depois, tinha em mãos sete livros do Dr. Gabriel Cousens. Foi quando percebi a apresentação madura de uma nova ciência. O interesse do médico pela nutrição deveria ser inerente à sua própria profissão, pois Hipócrates, o pai da medicina ocidental, postulava que a cura das doenças viria em sua maior parte pelos alimentos
– Como funciona o projeto Oficina da Semente?
A Oficina da Semente começou na Lapa. Saía do departamento de endoscopia ou da sala de aula de fisiologia e encontrava-me com meus assistentes para finalizar o almoço vivo, que seria servido para uns 25 entusiastas por dia. O projeto deixou o Rio e migrou para Campos do Jordão, onde foi aplicado no Programa de Saúde da Família, coordenado pela UNIFESP. Atualmente fomos adotados pela Prefeitura de Osasco, onde o projeto se desenvolveu em sua plenitude. No ano passado educamos 900 habitantes de Osasco e São Paulo em princípios básicos se saúde e alimentação viva
– Você acredita que a alimentação equilibrada e hábitos saudáveis, sejam a melhor forma de manter a saúde em dia?
Todos os que participam da Oficina da Semente ou do curso “Bases” aprendem que podemos não apenas manter a saúde, mas reverter doenças instaladas. Entre os hábitos saudáveis, a yoga e a meditação foram incluídas nos cursos, por mim mesmo, com o apoio de profissionais
– O que acha da frase do filósofo grego Hipócrates “Faça do alimento seu medicamento”?
Esta frase tem uma nova tradução “There is a Cure for Diabetes” (Existe Cura para o Diabetes), do Dr. Gabriel Cousens, que coordena nos Estados Unidos, Israel e agora na Nicarágua o Tree of Life (Árvore da Vida). Uma frente será formada para que a epidemia de diabetes e obesidade, que atinge hoje 250 milhões de adultos no mundo, e avança entre as crianças, possa ser corrigida e revertida pela alimentação viva. É a validação completa deste método de saúde.
– Você acredita que apostar cada vez mais no alimento e menos no medicamento, seja uma tendência mundial?
Sim, é uma frente mundial. Temos um terreno biológico, homeostático em sua bioquímica e microbiologia. Com a alimentação contemporânea, rompemos todo equilíbrio desse terreno biológico, descrito por Claude Bernard (o pai da homeostasia) e Antoine Béchamp. Isto está por trás de todas as doenças degenerativas e mesmo infecciosas que temos notícia. Após uma palestra para médicos em Heidelberg, na Alemanha, percebi, na discussão, que mesmo em países com recursos de saúde e alimentação ótimos, os médicos estão atuando em doenças que poderiam ser revertidas em grande parte pelos alimentos.
– Por que “Lugar de Médico é na Cozinha”?
É um nome provocador, mas na verdade um convite para uma mudança cultural no enfoque da medicina. O quadro de saúde no Brasil e no mundo passa por uma mudança cultural, na obtenção dos alimentos e na culinária que os prepara. A partir deste ano, teremos um programa de televisão, nada parecido com os convencionais, com o mesmo nome. O Mundo Verde está convidado a participar.
– Essa interação com os alimentos ajuda na hora de orientar os pacientes?
A culinária, o estar em volta de mesas preparando alimentos, evoca uma imagem saudosa de família. Nossos cursos despertam nos participantes a sensação da existência de uma família humana. Isto é muito mais que humanização da medicina. É uma transformação cultural, onde os valores essenciais do homem são despertados.
– Qual a sua opinião sobre o mix de produtos das lojas Mundo Verde?
Prefiro comentar sobre a instituição Mundo Verde, que surgiu pela vontade de uma médica, de transformar a saúde do homem e do planeta, sonho este que compartimos. O sucesso empresarial é evidente. Acho que o espaço está criado para uma expansão na área culinária e de feirinhas orgânicas. A Oficina da Semente está disposta a colaborar com esta expansão, naquilo que sabe fazer: ensinar.
– Costuma fazer compras nas lojas da rede? Em qual loja?
Quando morava no Rio, fazia compras na loja da Visconde de Pirajá. No estilo bem carioca, conhecia os atendentes e a nutricionista. Na época eu produzia grama de trigo no sítio Nirvana e fazia entregas nas filiais de Ipanema. Mas foi por pouco tempo. Agora em São Paulo, estou trabalhando em Alphaville e Osasco, que não tem lojas Mundo Verde, por enquanto.
– Quais dicas você pode dar para que as pessoas cuidem mais da saúde?
Um dizer do meu mestre Gabriel Cousens: “Não coma para viver, não viva para comer, mas alimente-se de uma maneira a aproximar-se do divino que existe em você”
PERFIL
Nome completo: Alberto Peribanez Gonzalez
Uma boa alimentação deve ter: Energia vital
Hábito de vida saudável: Yoga e meditação
Pecado gastronômico: A pizza “gourmet”, de massa finíssima, do Pier Paolo, em Campos do Jordão
Mania de médico: Passar horas na biblioteca-templo da Fiocruz, em Manguinhos (RJ)
Nas horas vagas gosto de: Brincar com minhas filhas

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